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sexta-feira, abril 14

Chegar


Os meus pés pareciam não tocar o chão, toda eu pairava no ar. Não sei descrever os sentimentos que que me avassalavam nesse momento.
 Era uma noite de Inverno, chovia mansamente, o céu escuro não mostrava o brilho das estrelas, e a lua escondia-se detrás de nuvens enegrecidas e densas. Tudo à minha volta parecia estar mergulhado na escuridão. É assim que recordo essa noite.
Recolhi a bagagem e ao sair do edifício ouvi alguém pronunciar o meu nome, virei-me e rapidamente me vi rodeada por duas mulheres jovens que me abraçavam e me empurravam até um táxi. Conhecia-as, mas não sabia quem eram… Ah! são as duas primas que estiveram no aeroporto pacientemente, durante todo o dia, devido ao atraso do voo. Ainda tínhamos uma longa viagem pela frente antes de chegar à aldeia, percorrer os 69 km de estrada levaria mais de duas horas. Naquela ilha filha de um vulcão de serras cortadas a pique, os caminhos subiam e desciam, contornavam as montanhas escarpadas, desciam vertiginosamente até o nível do mar para poucos minutos depois estar novamente junto à serra e, através de estreitas estradas desciam, outra vez, oferecendo uma paisagem estonteante.  
 Uma ilha com apenas meia centena de quilómetros de ponta a ponta, se medida a direito, conseguia, através de sinuosas estradas, duplicar o seu tamanho.

Apenas enxergava as luzes do táxi verde e preto que iluminavam a estrada. Ao atravessar a cidade, a profusa iluminação de Natal me deslumbrou, mas logo depois, mergulhamos na escuridão encontrando apenas, aqui e ali, as luzes baças de uma ou outra aldeia e o breu ao atravessar um furado, isto é, um pequeno túnel escavado na rocha, assustador, estreito, de pedras à mostra, salientes, agressivas como a boca de um leão. Não estava habituada a esta realidade por isso tudo me surpreendia e maravilhava. Só pensava em chegar. Enquanto não chegasse à aldeia não tinha chegado a casa, estava na terra de ninguém. As vozes que se ouviam durante a viagem parecia virem de longe, como um eco.