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terça-feira, fevereiro 22

Vestido novo!



Embora a casa onde vivíamos fosse bastante longe do porto, a verdade
é que a minha mãe fazia questão de estar presente na sociedade recreativa, ou clube, como lhe chamavam, pelo  menos ao fim de semana. Ela não era nada distraída, gostava de ter o seu homem por perto, para que ele não se esquecesse que era casado e com filhos, e para afugentar a concorrência.
Para mim foi a oportunidade de ganhar um novo guarda-roupa, isto é, algumas peças de roupa, dois ou três vestidos novos, o que representava uma fortuna para mim que apenas tinha um vestido para sair, e já em não muito bom estado. Era de tecido verde alface com umas pequenas flores espalhadas, que a minha mãe tinha comprado a um vendedor ambulante, de uma simplicidade extrema, que eu guardava para ir à missa ao domingo ou para outra saída qualquer, e tinha sido feito pela minha mãe.
 Verdade seja dita, eu já tinha reclamado muitas vezes por não ter outro vestido para sair, sentia vergonha de levar sempre o mesmo para a missa. A sorte era que eu já ia fazer 16 anos, nessa idade somos sempre bonitas, apesar de ter um vestido único…
Mas a minha mãe sabia que agora que tínhamos uma vida social mais “agitada”, que eu tinha 16 anos e que, provavelmente, teria que arranjar marido, sabia que tinha que me mostrar mais atractiva aos olhares dos rapazes. Sim, porque esse era o destino destinado.Com alguma sorte arranjava um rapaz bonito, rico e de bom carácter, algo assim como um príncipe encantado…
Pobre mãe, a vida real é tão diferente!
 Um dia ela chegou a casa com um grande embrulho onde trazia tecidos para fazer vestidos para mim. Eu fiquei exultante mas ansiosa, ainda tinha que esperar até ver a roupa feita…