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segunda-feira, fevereiro 14

Sport La Guayra e Benfica.( alguem se lembra?)



Pouco a pouco a situação económica ia melhorando, mesmo que de modo quase imperceptível. O meu pai começou a trabalhar no bar de uma sociedade onde se reuniam os portugueses da região  que tinha um nome óbvio: Sport La Guayra e Benfica.
 Era uma sociedade recreativa onde se reuniam os portugueses e as suas famílias para conviver e assistir aos jogos de futebol, pois tinha a sua própria equipa, mas era frequentada também por espanhóis, alguns libaneses e sírios que faziam parte da equipa.
Tratava-se de um local bastante simples mas amplo e situado mesmo enfrente ao porto, bastava se aproximar da porta para poder ver os grandes paquetes carregados de gente vinda da Europa, ou os cargueiros que traziam mercadorias de todos os lugares do mundo.
Nessa época os navios portugueses Santa Maria e  Veracruz faziam escala todos os meses naquele porto e era quase uma obrigação ir para o cais quando estes barcos chegavam, para matar as saudades, pois era como um bocadinho de Portugal, e dar as boas-vindas àqueles que chegavam pela primeira vez. Algumas vezes era possível comprar a bordo algumas latas de chouriço da marca Izidoro, ou azeite de oliva, da afamada marca Galo, e ainda algum bacalhau.
Os recém-chegados desembarcavam martirizados por um calor ao que não estavam habituados, apoquentados com as roupas pouco apropriadas para aquele clima, principalmente as mulheres, e traziam estampada no rosto a ansiedade da incerteza.
 O ar abafado e húmido era como um forte murro no peito que tirava a respiração e a vista demorava a se acostumar à vibração da canícula que se levantava do chão fazendo tremer a paisagem.
Os montes que acompanhavam aquela estreita faixa de terra, vermelhos e secos, crivados de cajuis, anunciam, sem sombra de dúvida, aquilo que os espera.