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quarta-feira, fevereiro 2

E uma vez que já estava escrito há muito tempo, aqui vai a continuação do post A vergonha


Eu não tinha amigas, eles não confiavam em ninguém, queriam me afastar
 de todas as influências que me pudessem desviar e levar por maus caminhos, apenas os meus irmãos, bastante mais novos, eram os meus companheiros de brincadeiras e, ao mesmo tempo, meus filhos. Como filha mais velha desde cedo me habituara a mudar fraldas e limpar o rabiosque dos pequenos, a lhes dar de comer e cuidá-los quando minha mãe tinha que sair.  è claro que eu me queixava porque de mãe só tinha as obrigações, ams não conseguia  fazer com que eles me obedecessem...
Eu podia ter o comportamento de um adulto e momentos depois ser uma autêntica criança,
estava numa transição difícil, a quase mulher que se via por fora ainda não cabia na minha cabeça de criança, e isso às vezes me levava cometer actos impensados e inexplicáveis.
 Desafiar a minha mãe e desobedecer propositadamente voltou a ser o meu desporto favorito,sem razão, apenas porque sim, e a minha atitude a levava ao desespero pois sentia que perdia autoridade
Certo dia, sem motivo que possa explicar, comecei a uivar.
Quando me lembro deste episódio absurdo ainda sinto um grande embaraço, e ainda acredito que essa reacção deveria ter sido estudada por um psicanalista. Aconteceu que, depois de ter ouvido um cão a uivar num filme da TV, comecei a fazê-lo também. Sim…a uivar! Ao princípio devagar, mas a medida que a minha mãe me mandava parar o meu entusiasmo crescia levando-me a aumentar a frequência e o volume dos uivos.
Minha mãe, cada vez mais zangada e envergonhada com a vizinhança, me perseguiu por toda a casa ameaçando-me com umas palmadas, mas eu esgueirava-me, escondia-me, sem nunca parar de uivar. Este espectáculo bizarro tornou-se um jogo exasperante, mas divertido para mim, e durou mais do que era razoável…se é que tudo isto tem algo de razoável! Por fim a minha garganta já estava rouca e me sentia cansada, queria parar, mas os uivos saíam descontroladamente, o animal que se apoderara de mim tinha agora vontade própria!
Esta cena patética só acabou quando a minha mãe me acertou umas valentes vassouradas que me fizeram uivar de dor quando eu me encontrava escondida debaixo da mesa,  sentindo-me como um animal acossado.
 Felizmente estes ataques não eram muito frequentes, geralmente eu era tranquila e uma boa ajuda para minha mãe.