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sábado, fevereiro 5

Acham que o nosso passeio terminou?


As dificuldades vividas até então fizeram com que a minha mãe transformasse a pobreza em virtude e a riqueza em defeito, durante os últimos anos em que deambulamos pelo país não foi muito difícil aceitar esta realidade, mas agora, ao regressar para perto das pessoas que conhecia, as coisas já não eram tão claras.
 O meu pai, que tinha trabalhado na construção civil nos últimos anos, devia agora encontrar outro meio de subsistência pois naquela cidade junto ao porto, o que mais abundava era o comércio. Na verdade a perspectiva de voltar a trabalhar num comércio não deixava de o entusiasmar, ao contrário da minha mãe que temia que ele voltasse a ter um negócio próprio,pois falhanço do primeiro a tinha deixado muito receosa.
O primeiro trabalho que encontrou foi no bar de um amigo onde trabalhava dia e noite, mas logo que teve oportunidade comprou uma velha carrinha de caixa aberta e iniciou o negócio de distribuição de ovos para estabelecimentos comerciais e particulares.
Era uma carrinha tão usada que, numa ocasião em que ele nos levou a dar um passeio ,começamos a ouvir os carros que passavam junto de nós a apitar com tanta insistência que ele se viu obrigado a parar, mesmo sem perceber o que acontecia, até que alguém lhe indicou que observasse por baixo do carro, e foi quando ele viu que o motor estava tão descaído que quase batia no chão. Seria o motor ou a panela do escape? Fosse o que fosse fazia saltar faíscas ao roçar no pavimento.
Acham que o nosso passeio terminou? Não… Com a ajuda de alguns arames e muito engenho o meu pai amarrou o motor, que apesar de pendurado nunca deixou de funcionar, e seguimos o nosso caminho!
De qualquer modo, pouco tempo depois ele se desfez daquela sucata. e do negócio dos ovos.