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sábado, maio 1

Adolescência - A Vergonha


 Os meus pais nunca foram imigrantes como os seus colegas que passavam a vida inteira no mesmo lugar sem conhecer nada do país onde viviam, e embora as razões que os levaram a percorrer o pais não fossem as mais agradáveis, é certo que esse percorrer de estradas lhes abriu algo mais os horizontes e os fez conhecer melhor a realidade daquela terra. Quando perceberam que voltar ricos para a sua aldeia era um sonho quase impossível, postergaram esse sonho e aceitaram a ideia de viver ali e educar os filhos. O meu irmão já estava em idade de ir para a escola por isso era necessário deixar a vida de nómadas e “assentar arraiais”.
 De certo modo, eu era vítima da extremada protecção por parte dos meus pais que se sentiam mais seguros me educando da forma tradicional, melhor dizendo, tal qual como se eu vivesse na aldeia no tempo em que eles lá estavam, um tempo em que uma rapariga que se considerasse séria não falava com os rapazes, nem sequer olhava para eles pois olhar podia significar que estava interessada ou que era leviana.
Com o regresso à civilização e o meu crescimento, pois eu já parecia uma mulher nos meus 14 anos bastante desenvolvidos, os temores, sobretudo da minha mãe, aumentaram ,mesmo porque eu começava a dar sinais estranhos. ..
Mas também era complicado para mim uma vez que me debatia entre aquilo que me era transmitido por eles e a realidade que eu lia e via, e embora acreditasse que os ensinamentos que meus pais me transmitiam eram os mais correctos não deixava de desejar uma forma de vida que parecia ser mais liberal e alegre, porque a nossa vida continuava a ser regida pelos mandamentos da Lei de Deus e da Santa Madre Igreja que é o mesmo que dizer que o olho vigilante de Deus se mantinha cravado em nós e podia ler no mais íntimo do nosso ser. Era terrível que sentir que nem um só pensamento passava despercebido.E eu começava a ter pensamentos estranhos… 
mas também sei quemeus pais tinham dúvidas e se sentiam inseguros sobre a forma de educar os filhos e mantê-los fiéis a estas normas num lugar que tinha formas de vida tão diferentes.
Nesse ponto eu fui a cobaia com quem eles experimentaram a melhor maneira de harmonizar os seus princípios e a vida nesse país. Não sei se consigo dizer qual foi o resultado…