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sexta-feira, abril 16

Os imigrantes II



Os portugueses que tinham emigrado para aquele país eram de origem muito humilde e tinham saído das aldeias mais pobres, em muitos casos eram analfabetos, mas tinham a força para lutar e o desejo de vencer, não tinham medo do trabalho nem se poupavam a sacrifícios, e mesmo fazendo contas de cabeça ou contando pelos dedos, conseguiam grandes fortunas.
Conheci alguns que já estavam naquele país há 30 ou 40 anos e ainda mandavam tudo o que ganhavam para os bancos do seu país de origem, onde os juros eram mais favoráveis e ao câmbio a moeda rendia mais, muitos deles mesmo quando sabiam que tinham dinheiro suficiente para regressar e desfrutar de uma vida desafogada, ficavam lá e continuavam a viver como se fossem indigentes, em casas sem conforto e sem dias descanso. Em muitos casos estavam com eles a mulher e os filhos que tinham trazido da aldeia a quem sujeitavam a uma vida de trabalho e privações, sem nenhum tipo de beleza ou distracção pois o dinheiro tinha um único destino: os cofres de um banco.
 Raramente mandavam os filhos para a escola ou se o faziam era apenas pelo tempo necessário para que aprendessem a ler e escrever e poder entrar no mundo do trabalho, poucos faziam cursos universitários ou mesmo técnicos. Era assim para os filhos que nasciam naquela terra, porque se tivessem ido para lá com 10 ou 12 anos, esses iam imediatamente trabalhar e aprender a poupar, disso se certificavam os pais, que eram eles que recebiam o salário que os jovens ganhavam, se bem que na maior parte dos casos depositavam este capital no banco até os jovens completarem a maioria de idade ou arriscarem no seu próprio negócio.
Grande parte destes emigrantes tinha parado no tempo, mesmo que tivessem passado dezenas de anos, continuavam a imaginar a sua terra tal qual como no dia em que a tinham deixado, não conseguiam ver as mudanças que também lá se operavam, como o seu país mudava e se modernizava, em consequência as suas mentalidades não evoluíam, uma vez que tão pouco assimilavam as particularidades da cultura do país em que viviam e continuavam a defender valores obsoletos já em desuso na sua própria terra.
O facto de as distâncias parecerem tão grandes, num tempo em que viajar para o continente americano ou para África significava uma longa viagem de quase duas semanas, fazia com que estes indivíduos deixassem passar décadas sem fazer uma visita ao lugar onde nasceram. Falo do emigrante dos anos 40, 50 até talvez, a década de 60.
 Felizmente aqueles que deixam a sua terra nos dias de hoje tem outro tipo de mentalidade e transportam outra cultura, as distâncias encurtaram para o que muito contribui a facilidade dos transportes, e os meios de comunicação de todo tipo permitem estar actualizados sobre a realidade de qualquer lugar do mundo.