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segunda-feira, abril 12

OS IMIGRANTES I



O  bairro Los Hornitos estava repleto de imigrantes de várias nacionalidades: os “turcos” como eram chamados todos os que provinham do Meio Oriente, que em realidade eram sírios ou libaneses, e alguns gregos, eram proprietários das lojas de roupa, móveis, tapetes e electrodomésticos; os italianos dos restaurantes e geladarias; os espanhóis detinham os supermercados, padarias e bares ou oficinas de reparação automóvel e recauchutagem e também outro tipo de comércio mais diferenciado como os cinemas ou hotéis.
No que se refere aos portugueses, quase todos trabalhavam no comércio, como proprietários ou empregados, eram os donos das padarias e pastelarias, abastos, que é o que se pode chamar de minimercado na linguagem actual, pequenas mercearias ou bodegas, refrescarias, onde apenas se vendiam sumos e bebidas não alcoólicas e os bares de mesoneras, aquilo hoje se chama bares de alterne. Existiam numerosas e respeitáveis famílias que faziam a sua fortuna desta forma.
Estes imigrantes eram na sua grande maioria oriundos da Madeira, essa ilha que durante a maior parte da sua história produziu homens para a emigração e se espalhou por todos os continentes, mas também se encontravam alguns do Continente, em especial da zona de Aveiro.
A bodega onde fazíamos as compras pertencia a um jovem da mesma freguesia dos meus pais, segundo fiquei a saber, era familiar da minha mãe, ainda que afastado, e tinha sociedade com outro jovem da região do Funchal. Era um buraco escuro e de aparência miserável no alto do morro, encaixado entre casas de madeira e latão, onde se vendiam os bens de primeira necessidade e as bebidas mais consumidas pelos naturais, a cerveja e o rum, as bombinhas de Natal e o bacalhau e o chouriço para os portugueses. Segundo se dizia, esta bodeguita era uma autêntica mina de ouro.
 Este primo afastado, era um jovem muito atraente e gostava de andar sempre muito bem vestido e penteado pelo que as mulheres da zona andavam todas loucas a ver quem pescava o português. Nessa época o sonho das venezuelanas era casar, ou ser amante, de portugueses, espanhóis ou italianos porque os achavam belos, mas sobretudo pela segurança económica que representavam pois para elas os estrangeiros eram todos ricos, ou viriam a ser.
Continua……