Google+ Followers

quarta-feira, abril 28

O bom partido II



 Para sorte deles as novas leis impostas no país obrigavam os pais a mandar os filhos para a escola, pelo que a rapariga mais velha e o rapaz já frequentavam o ensino primário. Era essa a única oportunidade para sair, tanto para eles como para a mãe que os acompanhava até à escola, e certamente representava o único momento de libertação. O pai era muito estrito e cuidadoso da segurança da casa e dos filhos o que os tornava comparáveis a prisioneiros, é a prova de que o dinheiro só por si não é sinónimo de bem-estar.
Alguns anos mais tarde, cinquenta anos depois de ter saído da sua aldeia e pouco antes de morrer, este homem visitou a sua terra e entrou, pela primeira vez, na casa que tinha comprado, quatro décadas atrás, mas rapidamente voltou à Venezuela.
Mais tarde soubemos que o filho tinha ido para a universidade - contra a vontade do pai, que o queria ver seguir os seus passos – e estudava engenharia química, uma das filhas deixara os estudos e casado com um venezuelano, mas tinha se afastado dos pais por não aceitarem esta relação. A filha mais nova ainda estudava e a mãe agora atendia a loja devido à doença do marido. Quando ele faleceu vendeu a bodega e foi passar umas longas férias na sua casa da ilha, mas já não se conseguiu adaptar e voltou para a companhia dos filhos naquela que já era a sua terra.
No regresso a casa a minha mãe não se cansava de falar da Teresinha, estava cheia de pena dela, como se a sua própria vida fosse muito melhor….mas é verdade que mesmo com todas as dificuldades que tínhamos passado nunca sentimos falta de liberdade, pelo contrário, a capacidade de sonhar e as frequentes mudanças faziam de nós pessoas bastante mais livres do que a maioria.

 Tenho a certeza de que existiam muitos casos semelhantes a este, ou ainda piores, como os casamentos por procuração que causaram a infelicidade de muitas pessoas. Deste casamento tão especial e anacrónico falarei noutro post.
……………………………