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quarta-feira, abril 14

A noiva pedida



 Como estava dizendo…
Quando este jovem achou que era hora de arranjar mulher para casar, - porque nesse tempo uma mulher para casar era muito diferente de uma mulher para “andar”, namorar ou até para amar. A “mulher para casar” tinha que ser séria, isto é, virgem, de boas famílias e muito prendada pois estava destinada a criar os filhos e servir o marido – , tinha então 25 anos e aproveitando o convite para o casamento de um amigo, foi procurá-la nà aldeia, embora não lhe faltassem pretendentes entre as filhas dos conterrâneos da vizinhança e o desejo das crioulas da terra.
  Tão depressa chegou à aldeia o nosso jovem Romeu se enamorou de uma bela jovem que ficou perdida de amores por ele estando convencida que seria ela a escolhida. Esse tórrido namoro durou todo o tempo quele ficou  na aldeia, no entanto, na hora de escolher a mulher que havia de ser a mãe dos seus filhos
se decidiu por uma menina, muito jovem , que pertencia a uma das famílias mais ricas da aldeia, com quem nunca sequer tinha falado. É claro que a menina aceitou, deslumbrada pelo charme do estrangeiro e naturalmente pressionada pelos pais que não podiam permitir que tão bom partido  lhes escapasse.
Contudo o casamento só se iria realizar quando a donzela tivesse cumprido os 18 anos, ou seja, quatro anos mais tarde, altura em que ele voltaria para tomar a noiva e concretizar o casamento.
A jovem ficava pedida e guardada para ele, entretanto os pais dela, e os futuros sogros, cuidariam de manter a honestidade da moça a salvo e de a ajudar a preparar o enxoval. Nem é preciso falar do desespero da outra jovem, que lutou até ao fim, insistindo no seu romance destinado ao fracasso, pelo que, estando ele comprometido, com a noiva muito bem vigiada, namorava livremente com a mulher de quem gostava em realidade. Um caso difícil de explicar e ainda mais difícil de entender… Não, isto não aconteceu na época medieval, aconteceu nos anos…sessenta!
Recordo que fiquei atrapalhada quando soube que aquela que tinha sido minha companheira nos meus primeiros anos, ainda na aldeia, a que fez a primeira comunhão ao mesmo tempo do que eu, a minha cúmplice, com quem roubei os peros à vizinha, já estava para casar, enquanto eu me sentia uma criança e nem imaginava uma coisa dessas me pudesse acontecer a mim!
Mas fiquei feliz por saber que alguns anos mais tarde ela ia estar mais perto de mim. E como eu precisava de uma amiga da minha idade!