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domingo, março 7

Tempos de chá sem açúcar I - Km 4, carretera de San António de Los Altos


 Numa repetição que já era para nós, muito natural, rumamos para uma nova cidade, e como quase sempre, o meu pai não estava à nossa espera.
 É preciso esclarecer que as grandes obras de construção onde o meu pai trabalhava eram quase sempre, grandes projectos, novos planos de urbanização ou empreendimentos industriais afastados do centro das cidades, daí a razão do meu pai não estar presente à nossa chegada nem poder vir a casa todos os dias, geralmente ia durante o fim-de-semana, quando recebia o salário.
Como sempre, a casa que nos estava destinada se situava na periferia de uma cidade bastante desenvolvida e muito próxima da capital.
Viajamos mais uma vez no camião que levava os nossos móveis e desta vez, levávamos também as galinhas brancas e gordas que a minha mãe tinha começado a criar na casa de Montalbán.
 Isto de criar animais que deviam servir para a nossa alimentação era algo complicado porque eles se tornavam em animais de estimação e tinham nome próprio, desse modo, sempre que era necessário sacrificar alguma para a nos dar de comer,a minha mãe mentia com os dentes todos!
 De vez em quando ela chegava com a triste notícia de que tinha encontrado uma das galinhas morta, mas quando queríamos ver o triste animal, ela justificava dizendo que seguramente tinha morrido de alguma doença que podia ser contagiosa para as outras galinhas e que, por isso, a tinha enterrado rapidamente, e nós éramos proibidos de ficar próximos do local onde ela a tinha depositado. (A minha mãe e o meu pai nunca tiveram coragem para matar uma galinha de modo que tinham sempre pedir a alguém da vizinhança para fazer o serviço) Depois, no próprio dia ou no dia seguinte, ela ia ao mercado e quando chegava a casa trazia um frango, já todo depenado e arranjado, que nós comíamos sem qualquer remorso porque não era dos nossos…
Foi também o que aconteceu ao nosso coelho branco de olhos vermelhos. Mas desta vez ela não teve tempo de ir ao mercado, e mesmo dizendo que ele tinha morrido de morte natural, ninguém o quis comer.
 Como dizia, as galinhas viajaram connosco, enfiadas num grande bidão de latão deitado ao comprido e com a abertura tapada com um pedaço de arame de galinheiro, mas esta porta tão frágil permitiu que algumas delas conseguissem escapar durante a viagem, e lá iam elas, saltando para a estrada, diante da nossa impotência de fazer com que o condutor do camião parasse para as procurar.

Continua…