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segunda-feira, março 1

Cascavel e vidros partidos…?


 A falta de luz durante a noite era algo muito incómodo e a única forma de atenuar essa falta era ter sempre em casa  uma boa quantidade de velas, porém houve uma noite em que elas não foram suficientes.
 Acordamos a meio da noite com um ruído estranho, um chocalhar persistente que a minha mãe identificou como o som característico das cobras cascavel, o não era de estranhar naquele país, ainda mais numa localidade tão rural e com o terreno das traseiras cheio de ervas.Com muito cuidado inspeccionamos tudo à nossa volta, debaixo das camas e encima delas, nos poucos móveis e em todos os recantos da casa sem encontrar nada, mas quando ficávamos em silêncio, voltávamos a ouvir o mesmo som abafado de chocalho. Quando as velas se acabaram o medo aumentou, só nos ocorreu ir para um quarto interior, sem janelas, que estava completamente vazio. A minha mãe rasgou um lençol e pegou-lhe fogo para iluminar o espaço e verificou que nada havia ali nem havia a possibilidade de que um qualquer bicho rastejante pudesse entrar, depois foi rapidamente procurar uns lençóis e cobertores, enquanto nós esperávamos com o coração na boca, e depois de os sacudir (os lençóis) e verificar que não tinham qualquer bicharoco, entramos todos para aquele cubículo fechando a porta rapidamente. Apenas os meus irmãos pequenos conseguiram dormir um pouco, a minha mãe e eu não pregamos olhos até ao amanhecer. Eu estava paralisada pelo medo e o frio.
  Quando surgiram os primeiros raios de sol abrimos cuidadosamente a porta e vasculhamos toda casa, sem encontrar nada, só então respiramos de alívio embora continuássemos convencidas que uma cascavel atrevida tinha passado por ali.
Também já nos tínhamos acostumado a ver as luzes se acenderem um pouco várias vezes durante a noite, atribuindo sempre o facto ao mau funcionamento do gerador, apesar das vizinhas assegurarem que isso não lhes acontecia, assim como ao barulho irritante de vidros que se partiam nas madrugadas de domingo. Era com se alguém se divertisse a partir garrafas durante horas, algumas vezes parecia que se ouviam vozes misturadas ao som de quebrar vidros, mesmo nas traseiras da casa, acontecimento que atribuíamos a alguma briga de um bar, embora o bar mais próximo ficasse a algumas ruas de distância, e mais uma vez, ninguém da vizinhança ouvia estes barulhos.
Continua…ainda…