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segunda-feira, março 1

Acabou-se a fantasmahistória!


È verdade que eram tempos de muitas preocupações e a minha mãe andava naturalmente angustiada, tinha medo de estar sozinha com três crianças, um cão, algumas galinhas e até um coelho, sem contar com o arbusto de abacateiro numa lata de leite em pó.
 Mesmo estando convencida de que não acreditava em almas do outro mundo vagueando pela casa nem nas histórias que a vizinhança contava sobre aquele lugar, era natural que no subconsciente existisse um espaço de dúvida, um “se” que a fazia sentir inquieta e lhe causava noites de insónia. Por isso mesmo, com o passar do tempo e a repetição de situações estranhas ou com difícil explicação, era natural que estes fizessem estragos no sistema nervoso e é certo que nada é mais assustador do que o desconhecido.
Um dia, logo pela manhã, encontrei a minha mãe com uma expressão aterrorizada metendo rapidamente os nossos pertences em caixas e sacos e quando quis saber o que acontecia ela só me respondeu que íamos embora daquela casa. Nunca me explicou o que a levou a tomar essa decisão tão repentina e eu não voltei a perguntar, mas senti que era urgente sair dali. Pouco depois saímos à procura de outro lugar onde ficar, a vizinhança toda nos ajudou nessa procura, mas só conseguimos descobrir outra casa disponível numa povoação próxima chamada Bejuma. A casa era de barro e canas com chão de terra batida, uma autêntica cabana, mas isso não tinha importância: o importante era ficar longe daquela casa, assombrada ou não…
 Alguns dias depois o meu pai chegou e ficou combinado que nos mudaríamos para a cidade onde ele trabalhava, tão depressa como ele conseguisse encontrar uma casa para nós.