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quarta-feira, fevereiro 3

Casa assombrada?



Tenho que admitir que me custa um pouco falar sobre as coisas que aconteciam naquela casa, não porque acredite em fantasmas, espíritos ou casas assombradas, mas porque pode parecer invenção minha. Mas juro que tudo o que vou contar aconteceu!
Apesar dos avisos e dos prognósticos das vizinhas que apostavam que não ficaríamos lá muito tempo, fomos viver para aquela casa. A minha mãe lamentava que as pessoas fossem tão supersticiosas e sugestionáveis, para ela não havia que ter medo se estávamos com Deus pois ninguém era mais forte do que ele.
Além das histórias que nos tinham contado, em que não acreditamos, havia uma circunstância bastante aborrecida que era o facto da luz eléctrica que, além de ser desligada às onze horas da noite, não tinha a potência necessária para fazer funcionar a televisão em boas condições. Recordo que eu andava todo o tempo mudando de lugar a televisão para ver se encontrava um ponto onde a recepção fosse melhor, ou rodando a antena até conseguir que aparecesse uma imagem distorcida e chuvosa, algumas vezes sem som e outras a penas com som, sem imagem. Mas era uma boa forma de passar o tempo e qualquer um dos factos era uma vitória!
Por seu lado a minha mãe tinha aumentado a sua criação de galinhas, brancas e boas poedeiras, no barracão das traseiras transformado agora em galinheiro, e até arriscou a criar uns coelhos.
Rapidamente nos  habituamos ao facto de encontrar todas as manhãs o chão da sala molhado e coberto  com uma camada de salitre sem nunca conseguir perceber de onde vinha aquela água, era com certeza alguma infiltração, no entanto segundo a vizinhança dizia, a casa já tinha sido esburacada à procura de algum cano roto ou uma nascente, mas nunca se tinha encontrado nada que justificasse aquela humidade.Essa era a razão das cicatrizes nas paredes e no chão. Nada disto nos preocupava, esse fenómeno tinha, com certeza, uma explicação lógica, por enquanto bastava secar o piso pela manhã, e fazer o mesmo no dia seguinte.
 A casa de banho que ao princípio parecia tão interessante, com a banheira na qual imaginara tomar grandes banhos de imersão, me apavorava mas era utilizava pelos meus irmãos, que ainda não estavam na idade do medo, treinarem mergulho e apostarem para ver quem passava mais tempo debaixo da água sem respirar. Aliás, um deles ficou com esse vício desde então , e nas casas onde moramos depois, na falta de banheira, metia a cabeça dentro de um balde cheio de água para ver quanto tempo aguentava  sem respirar…

Continua…