Google+ Followers

segunda-feira, janeiro 25

"Porque, de facto, não amamos toda a gente da mesma forma...".

"...Se um dia as pessoas que nós amámos e que nos amaram se reunissem para falar de nós, de certo que nenhuma estaria a referir a mesma pessoa. Porque, de facto, não amamos toda a gente da mesma forma...".
Este é um extracto do comentário que eu fiz num post que a Rita Ferro colocou no seu blogue Acto Falhado e no qual faz um retrato exemplar da amizade que nos une. Não indo pela emoção que esse elo me provoca, o certo é que decidi repegar no tema que ontém tratei e alargá-lo agora também ao amor.
Quantas pessoas diferentes não teremos sido, ao longo da vida, relativamente àqueles de quem gostámos? Quantas mulheres se não terão corporizado numa só, de cada vez que esse sentimento chamado amor despontou no nosso coração?
Umas vezes, porque tentámos corrigir erros passados que não queríamos repetir. Outras, porque, sendo o amor biunívoco, recebemos muito mais do que esperávamos e tentámos retribuir. Outras, ainda, porque o pouco que nos davam terá secado a torrente que, no início, nos alimentava. Outras, também, porque o tempo e a idade vão emoldurando, burilando, singularizando, os nossos afectos.
Na amizade passa-se algo de semelhante. O "outro" apresenta-se aos nossos olhos de uma forma diferente daquela pela qual certos amigos o veêm. E é essa singularidade que, juntamente com a nossa própria, selará uma relação que será diversa daquela que se estabelece com uma pessoa com distintas características. E vice versa. Também a forma como somos olhados dependem do olhar do outro, da sua capacidade de nos "ver".
Não serão, afinal, estes condicionalismos que fazem com que certos amores ou certas amizades durem uma vida inteira, ao contrário de uns ou umas que não deixam qualquer rasto?
 
Publicado por: Helena Sacadura Cabral  aqui:
http://hsacaduracabral.blogspot.com/2010/01/o-amor-e-ainda-amizade.html