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sexta-feira, janeiro 29

Não sei como fomos parar a Montalban...


 Não sei como fomos parar a Montalbán, assim como não sei qual era o critério para a escolha dos diferentes lugares onde fomos morar, mas penso que seria uma certa proximidade do sítio onde meu pai estava a trabalhar de modo a permitir que ele viesse a casa durante alguns fins-de-semana.
Montalbán era uma localidade tipicamente colonial, as casas eram baixas, quase todas com pátio interior e paredes de cana e barro, o edifício que se destacava era a igreja e depois a alcaldía ou Câmara Municipal. Curiosamente, nesta povoação isolada nas montanhas, existiam três igrejas, cada uma dedicada a um padroeiro diferente.
Quando lá chegamos ainda não tínhamos casa para morar, foi preciso procurar alguma que estivesse vaga. Não foi difícil, rapidamente nos deram a indicação de uma que estava para alugar.
Depois de encontrar a pessoa que estava encarregue da mesma, fomos ver a casa e ficamos surpreendidos porque era uma habitação mais elegante do que as demais, situada numa rua bastante calma embora próxima do centro. Era uma das poucas que tinha telhado de telhas, e embora de um piso só era grande e tinha um terreno nas traseiras. Mas no seu interior parecia estar inacabada e tinha muitas cicatrizes no chão e nalgumas paredes. Os seis quartos se distribuíam lateralmente, formando dois corredores, uma a cada lado da sala e da cozinha. Os quartos eram contíguos e comunicavam uns com os outros por uma abertura onde deviam haver portas, mas estas não existiam, mas cada um tinha porta para o corredor. Era uma distribuição algo bizarra. Dos quartos do lado esquerdo apenas o quarto que dava para a rua tinha janela o que tornava os demais quartos algo escuros, nos quartos da direita apenas um deles tinha uma janela que dava para o terreno e em todas as janelas havia grades de ferro.
A única divisão que parecia estar completamente acabada era a sala de banho, que era, também, muito estranha. As paredes estavam recobertas mármore preto até ao tecto e uma das paredes estava coberta com um grande espelho, como não tinha janela estava sempre muito escuro e mesmo com a luz acesa tinha um ar algo misterioso. As louças também eram pretas, incluindo a banheira, o que também era uma raridade, pois o usual naquele país era as casas de banho terem apenas um duche.
 Embora o terreno das traseiras estivesse descuidado, como votado ao abandona há muito tempo, coberto de ervas altas e alguns arbustos, havia junto ao mesmo um barracão que podia ter alguma utilidade para a criação de galinhas da minha mãe.
Habituados como estávamos a viver em todo tipo de casa, achamos que aquela estava bem, e quando a minha mãe soube o preço do aluguer, não pensou duas vezes, até porque nem foi pedida uma caução como era uso.
Mas tinha um senão, a pessoa que a alugou fez questão de informar que aquela casa tinha fama de estar assombrada e que os inquilinos nunca paravam lá.
 A minha mãe, que não acreditava nessas coisas, riu-se, e nós rimos com ela, mas pelo sim, pelo não, foi falar com o padre, que confirmou essa informação.
A minha mãe achou que ele era tonto, mas pediu-lhe que fosse benzer a casa, e embora ele repetisse que já tinha feito esse trabalho para outros inquilinos, ela insistiu.
Com a casa benzida e com um grande crucifixo na parede, entramos com a maior das confianças na nossa casa assombrada.

Para quem gosta de historinhas de terror…continua…