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terça-feira, novembro 17

Poema desgarrado


Esvazia-me!
Abre, com toda a violência, as portas que há tanto tempo tranquei.
Escancara os meus segredos.
Cruelmente, rasga as folhas onde deixei os pensamentos que não queria esquecer.
Assim... esqueço-me de mim.

Tira-me todas as recordações.
A leveza que me trazes é quase sinónimo de paz.
Rói de mim o que é sobejo.

Esvazia-me! Por favor.
Aure, deste resto de pessoa, o ânimo.
As preocupações que arrancaste, sem cuidados, eram tantas...
Encontraste na desarrumação das gavetas o que procuravas em desespero?
O desarranjo é o mesmo?

Esvaziaste-me?
Levaste, sem piedade, tudo?

O eco, cá dentro, grita!
Agora, oca, peço:
Enche-me de ti!

(Marta Garcia)