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terça-feira, novembro 17

O Jardim d'Ela


Trepou-lhe pelas costas um ligeiro arrepio.Daqueles agradáveis, daqueles que indicam que nos sentimos bem, que nos sentimos vivos. Depois, tomou consciência de que o chão até estava quente e lembrou-se do bem que lhe sabia andar descalça. Ia caminhando por ruas apertadas, de portas e janelas abertas, pintadas de flores. Se não fosse pelas coisas que as pessoas deitam ao chão, era capaz de andar descalça todos os dias, pensou ela, à medida que aproveitava cada gota daquela estranha e tão antiga liberdade.
Estava num lugar que não visitava há muito, do qual poucas recordações estavam impressas em papel de fotografia, num lugar que tinha mudado, pelo menos em aparência. De resto, o cheiro das flores pela manhã, o constante e o tom que o amanhecer conferia às casas, era igual. De resto, aquele lugar de sorrisos sempre familiares, cochichos e olhos indiscretos, permanecia exactamente o mesmo.

As crianças andavam na correria e ninguém se chateava com isso. A escola era o sítio predilecto das partidas, brincadeiras, sorrisos e feridas nos joelhos. Teve vontade de correr com eles, entrar no jogo e brincar até não poder mais. Saltitar e sentir as diferenças de texturas e temperaturas do chão, tirar as pedrinhas dos pés negros de felicidade e continuar.

O mar continuava a fazer barulho, o perfume deixado pela maré vazia, num misto de lapas, algas e sal, fê-la seguir o caminho mais óbvio. Sentou-se e deixou-se embalar pelas ondas e acabou por se deitar para sentir. Apenas sentir a alegria que a inundava.

Sentia-se em casa e curiosamente livre. Afinal de contas, aquele não era mais do que o seu Jardim.

Estava feliz!

Texto emprestado pela minha filha,dedicado à aldeia onde nascí, que ela também adora.Eu acho lindo!