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segunda-feira, novembro 2

Emília, a siciliana do outro lado da rua

A minha mãe aproximou-se da italiana que morava do outro lado da rua, sobretudo depois de ter observado que ela alimentava o bebé, de poucos meses, com fios de esparguete cozido num caldo feito com folhas de chicória. Fazia dó ver o bebezinho de boquinha aberta, enquanto a mãe lhe enfiava pacientemente os bocadinhos de massa.
Esta jovem, a Emília, era uma camponesa siciliana simplória e simpática, eu até gostava bastante dela, que aceitava facilmente os conselhos dados pela minha mãe que, nesse campo, tinha muita experiência e sabia bem como criar filhos de uma maneira saudável e barata.
Mas para que a criancinha recuperasse rapidamente a minha mãe aconselhou-a a comprar os pequenos boiões de alimento infantil da Gerber, desse modo podia garantir que ele comeria a fruta e os legumes necessários enquanto a mãe aprendia a preparar as sopas e papas adequadas. O certo é que o menino engordou e a Emília andava muito satisfeita e agradecida pelos conselhos da minha mãe.
O menino tinha nascido com o lábio leporino e a Emília se culpava por isso, dizia que quando estava grávida tinha visto uma pessoa com esse problema e troçado dela e, por essa razão, o filho tinha nascido assim. Disse-me muitas vezes que nunca caçoasse de ninguém porque podia pagar caro. Eu nunca esqueci essa recomendação.