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quarta-feira, novembro 4

Christos, o finlandês


Christos, o finlandês, tinha uma grande carrinha Chevrolet na qual demos alguns passeios que de outra forma nunca teríamos realizado, com ele chegamos a ir até muito perto da fronteira com o Brasil amazónico, por estradas que rasgavam densas florestas e rasavam a fronteira com a Guiana Francesa. Curiosamente não recordo nenhum lugar em especial, apenas me lembro da floresta, a estrada, e de um nevoeiro baixo e quente. Sei que estivemos numa localidade chamada Upata, muito primitiva e isolada pela distância de outras cidades, e de um lugar, Santa Teresa, aí sim, perto do Brasil.
Habituado a fazer longas viagens, ele conhecia tão bem as estradas que chegava a adormecer durante a condução! Nas viagens que fizemos juntos, às vezes adormecia, porém a mulher mantinha-se impávida e serena, enquanto a minha mãe procurava mantê-lo acordado falando-lhe continuamente e dando pequenos beliscões ou safanões. Por sua vez, o meu pai tentava que a minha mãe deixasse o homem em paz, enquanto a mulher sorria angelicamente. Quanto às crianças, que contando connosco eram onze, umas dormiam tranquilamente, outras ainda brincavam, e outras, como eu, tentavam manter-se atentas a tudo o que acontecia no interior daquele veículo.
O finlandês contava que, nas ocasiões em que viajava sozinho durante a noite, sofria ataques de sono, nessa ocasiões parava o carro na berma da estrada e estendia-se ao comprido deixando os pés fora da janela do carro, e dizia que mais do que uma vez, ao acordar, descobria que lhe tinham roubado os sapatos. Ao contar isto dava umas gargalhadas sonoras e contagiantes imaginando o desapontamento dos ladrões ao ver o tamanho dos mesmos!