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sexta-feira, outubro 9

Perfume de terra, mango e goiaba…



Naquela região amanhecia pouco antes das seis da manhã, e juntamente com o sol chegava o calor, mas também chegavam os pássaros aos bandos, se ouviam cantar os galos e a frescura do início do dia deixava no ar um perfume de terra, mango e goiaba…
Nos dias de chuva, mesmo antes dela chegar, os bandos periquitos se aninhavam nos ramos das árvores mais frondosas e entoando o seu canto em conjunto, avisavam que a chuva vinha aí. Então o céu parecia desabar, a força da chuva batendo no telhado de asbesto, e nos telhados de zinco da vizinhança, apagava todos os outros ruídos criando um silêncio ensurdecedor e um véu de água nos isola ainda mais do exterior.
Estes momentos eram propícios ao recolhimento dentro de casa, algumas vezes a minha mãe fazia bolinhos de frigideira e café com leite que devorávamos com deleite!
Depois sentávamos, ou deitávamos nas camas, como se fossemos os únicos habitantes da terra! Ela costumava rezar nessas ocasiões, depois falava-nos do passado e também do futuro.
Contava histórias da sua terra e com essas histórias nos fazia pensar num paraíso onde tudo estava bem, lembrava-se com saudade da mãe e dos irmãos, com os quais tinha distanciado o contacto deixando de responder às cartas para não ter que falar das dificuldades da vida que levava, tão diferente do que tinha imaginado, e que eles nunca iam entender.



Nos próximos episódios citarei algumas das histórias que ela contava…