Google+ Followers

sexta-feira, outubro 16

Maraquitas e reinitas.

Gastávamos muito do nosso tempo observando os pássaros e tentando imitá-los. Principalmente eu, que passava horas pendurada nas árvores, imaginando como construir uma casa na árvore maior, uma grande mangueira, à qual eu subia frequentemente para colher os frutos e sonhar.
Descobrimos entre os ramos de uma das laranjeiras que tínhamos libertado das trepadeiras, um pequeno ninho que continha dois diminutos ovos, ali colocados por um passarinho da variedade dos colibris, ou beija-flores, chamada reinita, uma avezita minúscula, preta e amarela, muito viva e atenta.
Ficamos preocupados ao pensar que, uma vez havíamos tocado nos ovos, ela os rejeitasse, tal como a minha mãe tinha dito, mas constatamos com alívio que os passarinhos voltavam. Afinal eram dois, um perfeito casal que se revezava para aquecer os ovos. Agora era preciso que nos mantivéssemos vigilantes para observar o eclodir das pequenas crias.
Enquanto elas não nasciam eu prestava a atenção aos bandos de maraquitas que frequentavam a vegetação das traseiras. As maraquitas são da família das pombas, muito pequenas, cor de café com leite e com umas pintas pretas. Chegavam em bandos, aninhavam-se nos ramos das anoneiras e depois cobriam o chão à procura de sementes nas ervas secas no meio de um arrulho infernal!
Eu decidi que queria prender algumas numa gaiola , não para as ter presas, mas para ter um contacto mais próximo com elas, para conseguir  isso ficava à espreita entre os arbustos, fazia pequenas armadilhas… sempre sem resultado. Até que me ocorreu uma ideia que julguei ser infalível! Escondia-me por entre as ervas, depois, num repente, me levantava e lançava um lençol sobre os pássaros! Algum havia de ficar preso debaixo do lençol…Mas sempre que o intentava, antes que eu conseguisse atirar o pano elas já tinham fugido todas! Um dia, quando me arrastava por entre as ervas e me preparava para atacar, dei de caras com uma pequena cobra que me encarou friamente.
Desinteressei-me do assunto rapidamente, até porque não tinha gaiola e …cobras? Não, obrigada!