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quinta-feira, setembro 10

Quando o sonho se desmoronou...

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A minha mãe era como uma rainha deposta pela força. Mesmo durante as maiores provações, mesmo quando a miséria lhe bateu á porta, ela continuava a sentir-se rainha, estava apenas à espera de recuperar o seu trono.
Quando o sonho se desmoronou ficou ressentida com o meu pai por não ter conseguido realizar os projectos que os tinham levado para um lugar tão distante. Passou a dar razão à família quando esta tentou impedir o casamento entre eles, e fazia-nos ver que os filhos que contrariam os pais não têm sorte na vida, por isso, esperava que nós lhe obedecêssemos cegamente.
Optou por se afastar das pessoas conhecidas na tentativa de ocultar o que ela chamava de miséria, e na esperança de poder surgir um dia, luminosa, cheia de fortuna e assim «quebrar os olhos aos inimigos» (nunca soube muito bem o que isto quer dizer, mas suponho que será algo como vingar-se daqueles que ela julgava que a tinham desprezado).
Despeitada, lidava mal com o sucesso de seus conterrâneos enquanto ela se debatia com as dificuldades da vida, ela que sempre tinha cumprido todos os preceitos da religião e recebido todos os filhos que lhe Deus dera… Não era justo!
A ideia de partir para um lugar longínquo onde ninguém nos conhecia lhe proporcionou um certo alívio e acentuou o seu espírito aventureiro e a vontade de conhecer novas realidades.
Ainda não se apercebia de como aquele país começava a entranhar-se no seu coração.