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quinta-feira, setembro 24

Orinoco

Já na última etapa da viagem, atravessamos campos petrolíferos numa estrada que era uma perfeita linha recta durante mais de cem quilómetros. Maravilhei-me ao ver, de ambos lados da estrada, milhares de línguas de fogo que surgiam do solo, queimando o excesso de gás natural. Era uma paisagem quase dantesca, as chamas se elevavam vários metros deixando no topo uma nuvem negra de gases queimados que, a medida que se dissipavam,manchavam o céu de negro e de vermelho, mas iluminavam a noite e permitiam ver , até onde a vista alcançava, as altas torres de extracção de petróleo.
Em certas zonas, o cheiro intenso tornava o ar quase irrespirável. Um verdadeiro atentado ao meio ambiente e ao homem mas, ao mesmo tempo, a razão da riqueza e o progresso daquele país…
Chegamos á margem norte do rio Orinoco ao clarear do dia, a uma cidade chamada Soledad, que estava situada num dos pontos mais estreitos do rio. De cidade tinha pouco, apesar do grande movimento comercial, era quase um casario, mas dali se podia avistar a cidade situada na outra margem, Ciudad Bolívar, que era o nosso destino.
Não havia ponte para atravessar o rio, esta só seria construída muito mais tarde, o percurso ao longo dos 1700 metros que separavam as duas margens era realizado numa chalana, uma barcaça enorme que transportava automóveis, camiões, pessoas e animais. As águas do grande rio, lodacentas e agitadas pela brisa matutina, mais se assemelhavam a um mar ameaçador.
Não era um percurso muito seguro nem rápido, e as pessoas falavam dos perigos do rio e das piranhas que havia nele!
Saber que a viagem estava chegando ao fim proporcionava um grande alívio, no entanto só podíamos sair do nosso esconderijo ao chegar à casa que meu pai tinha alugado para nós.