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sábado, setembro 5

Começar de novo


Eis um tempo com bico de milhafre e asas de rapina…
Perder o negócio foi para meus pais uma vergonha. Custava-lhes muito enfrentar os seus conterrâneos e suportar a comiseração de uns ou o escárnio de outros. Apenas tinham vontade de sair daquele lugar e começar uma nova vida onde ninguém os conhecesse. Talvez por isso foi tão fácil aceitar a sugestão de um conterrâneo, um daqueles que tinham esquecido a aldeia e a família e se tinha aventurado a ir para o país mais profundo, onde o rio Orenoco se cruza com o Caroní, junto à selva onde se escondem os tesouros da terra, e fundado uma nova família.
Ele falou-lhe da grande siderurgia em construção e da cidade que se desenvolvia ao seu redor, da abundância de trabalho e dos bons ordenados.
Então meu pai soube que tinha que recomeçar trabalhando na construção civil e por em pratica tudo o que tinha aprendido com o pai.
Com uma magra quantia de dinheiro, talvez menos do que aquela que trazia quando deixou a aldeia, decidiu partir mais uma vez, deixando para trás a mulher e quatro filhos pequenos. Mas agora o que o levava não era o sonho e a esperança, agora era o desalento e a incerteza que o levavam.