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quarta-feira, outubro 7

A casa perto do rio

  Tudo era diferente, o ar quente e húmido, os aromas, a vegetação exuberante e o rumor das águas misturado com os sons de animais e pássaros selvagens.
A cidade era tipicamente colonial, salvo nas zonas mais comerciais onde já se podiam ver alguns edifícios modernos, as casas eram baixas com o típico pátio interior e quase sempre rodeadas de muita vegetação, que se estendia ao longo da margem do rio.
Quando chegamos à nossa casa, meu pai não estava à nossa espera, trabalhava ainda longe dali, só devia chegar no fim-de-semana. Quem nos deu as boas-vindas foi uma cadela, depois soubemos que se chamava “Monega”, segundo nos explicou a italiana que morava do outro lado da rua, porque era preta mas tinha uma mancha que descia do focinho até o pescoço que fazia lembrar o hábito de uma monja. A cadela era a guardiã da casa e adoptava todos os inquilinos. Era meiga e muito atenta, mas o que ela cuidava era da sua casa, sem lhe importar quem a habitava.
Gostamos logo daquela casa. Estava situada no meio de um amplo terreno onde havia uma grande quantidade de árvores, mangueiras, laranjeiras, anonas, muitas anonas! Goiabeiras, cajueiros… e muitas flores espalhadas ao longo do caminho cimentado que levava do portão principal até ao alpendre da casa. A vedação que a separava das restantes casas estava coberta de trepadeiras e pequenos arbustos. A casa em si era muito modesta, de paredes de cana e barro, o tecto coberto com painéis de asbesto, as divisões interiores no tinham portas e apenas duas janelas que davam para o alpendre. Estava situada numa rua com algum comércio e bastante movimentada de trânsito, não muito longe do centro da cidade e a margem do rio. Mas a habitação em si não tinha importância, o que importava era o espaço de liberdade que representava.
Ficamos encantados, tanto eu como os meus irmãos, com a quantidade de pássaros que saltitavam de árvore em árvore, as variedades de colibris, papagaios e periquitos e até um corvo que vinha frequentemente beber água de uma fonte junto ao alpendre.