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sexta-feira, agosto 28

Voltemos à história...Mas sobre mi madre



Eles andavam muito agitados e eu observava tudo em silêncio, na expectativa do que viria a acontecer sofria solitariamente, muitas vezes chorei ao ver a tristeza deles mas nunca demonstrava o que me ia na alma, pelo contrário, tornava-me mais rebelde e agressiva, em particular com a minha mãe, mesmo porque o meu pai pouco se detinha em casa, andava à procura de uma saída, de uma forma de recomeçar.
A saúde de minha mãe ressentiu-se, começou a ter alterações da tensão arterial e anemia. Mais do que uma vez a encontrei desfalecida com os lábios e unhas arroxeadas, quase convulsiva, então ela pedia-me para aquecer água rapidamente e colocar numa tina onde ela colocava os pés até ficar mais recuperada. Mas eu creio que a doença dela era apenas tristeza.
Apesar de tudo o que estava a acontecer a minha mãe está esperando bebé novamente. Ela não gostava de dizer que estava grávida, achava que era uma expressão vulgar, só dizia que estava esperando bebé, assim como nunca dizia: ter um filho, dizia sempre: dar à luz.
Tanto ela como meu pai não permitiam nenhum tipo de palavras que tivessem uma conotação grosseira e eu nunca os ouvi dizer uma única palavra obscena, por conseguinte, nenhum de dos filhos se atrevia a pisar o risco!
Habituamo-nos a este ritmo de nascimentos, tanto que, na hora de escolher o nome do novo bebé, escrevíamos em papelinhos nomes diferentes que depois tirávamos à sorte. Algumas sugestões foram dadas por mim, foi por isso que, influenciada pelos filmes mexicanos, uma das meninas se chamou Guadalupe, só para eu poder chamá-la de Lupita, outra foi Delfina, porque além de ser o nome de uma tia da minha mãe, também era o nome de uma colega da escola de quem eu gostava muito. Penso que nunca me perdoaram por isto!
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