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quarta-feira, agosto 26

Tangentes

Antes de continuar contando a minha história, apetece-me falar de dois livros que me têm acompanhado por mais de trinta anos.

Os que me lêem já perceberam que gosto da poesia de Manuel Alegre, particularmente de Um Barco Para Itaca, em cujos poemas encontro as palavras que não sei dizer.

Mas o meu livro amor é um pequeno livro de poemas de Merícia de Lemos, Tangentes, que se tornou o meu melhor amigo, sobretudo durante a época das minhas desilusões amorosas.

O exemplar que possuo foi editado em 1975 pela Ática Editora na sua colecção de poesia, o prefácio é de Vitorino Nemésio,e o desenho da capa- um cavalo alado- é da autoria de Almada Negreiros. Creio que é um apequena jóia. Acusa a passagem do tempo, está ficando amarelado, e aquilo que foi um botão de rosa para marcar as suas folhas, é agora apenas uma mancha esbatida e acastanhada.

Ambos os livros foram roubados do pequeno posto de leitura da minha aldeia, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Não o pude evitar! Desde que os levei comigo nunca mais os consegui pousar na estante da biblioteca onde ficariam, seguramente, esquecidos e intocados, empoados, sem que ninguém que os abrisse e acariciasse suas páginas.

Sei apenas que desfrutei e amei as palavras nele escritas, e embora fique mal dizê-lo, ninguém os arrancará de mim, já são meus por direito!

Escusava dizer isto, não?

Esclarecido este ponto, aliviada por confessar o meu delito, não será de estranhar que, num dia de pouca inspiração, em que as palavras nele escritas digam com mais clareza o que sinto, publicarei um que outro poema.

È assim hoje.