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quarta-feira, agosto 26

Maldita

Maldita seja a memória.

Maldita seja por me lembrar,

Maldita seja esta luz, esta hora, este aroma que se espalham no ar,

Numa mistura de sal, rosas e lume.

Malditos os meus olhos que teimam em te ver,

Malditos os meus ouvidos que estão sempre a escutar-te,

Malditas as minhas mãos a agarrarem no espaço um gesto que perdeste,

Malditos os meus cabelos que tomaram o jeito dos teus dedos,

Malditos os meus lábios que ficaram cheios duma sede e duma fome

Que não é a do pão, a água ou a do sangue…

Bem hajas, meu amor, bem hajas!


Merícia de Lemos