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sábado, julho 11

O fim da história de cães e polícias


Como tinha prometido…
Vítor, o filho da senhora Olegária, era um pobre diabo que pouco ajudava a mãe mas era, geralmente, pacífico, mesmo quando embriagado.
Não nessa noite. Nessa noite em particular decidiu provocar o meu pai. Começou por cantar canções em jeito de desafio, chamou-lhe musiú, (do francês monsieur, usado como forma depreciativa para tratar os imigrantes) entre outros insultos. Os clientes que se encontravam no bar e que tinham o meu pai em boa conta, tentaram fazer calar o ébrio, inutilmente.
O meu pai não conseguia entender a razão daquela atitude pois sempre tiveram uma relação amigável por isso, tentou ignorá-lo o maior tempo possível, mas a provocação continuou até ao momento de fechar o bar, altura em que o Vítor saiu levando uma garrafa de cerveja e acompanhou o meu pai durante o curto percurso até casa, sempre assobiando de forma provocadora.
O meu pai levava dois cocos verdes na mão (todos gostávamos da água de coco gelada) e quando sentiu a garrafa voar sobre a sua cabeça virou-se qual mola, atirando com força os dois cocos que foram bater em cheio no peito do provocador, fazendo-o cair a todo o comprimento no passeio enquanto corria velozmente até entrar no pátio de casa. O imprudente Vítor também saltou para o interior do pátio enquanto os curiosos se juntavam à volta para ver o combate.
Escusado será dizer que foi um combate desigual. A corpulência e preparação do meu pai versus o frágil esqueleto do borracho!
Não sei onde estava a minha mãe, mas eu estava à janela, na minha vontade de ajudar enchi um copo com água( foi o único que me ocorreu…) e tentei fazer pontaria para acertar no patife, no entanto, não tive oportunidade de o fazer porque, quase sempre, meu pai estava por cima e o insignificante Vítor nem se via.
Os curiosos que se tinham juntado acabaram por intervir arrastando o desgraçado para fora dali.
Nessa noite, quando julgávamos que o incidente estava terminado, a nossa casa foi atingida violentamente por uma chuva de pedras, algumas tão grandes que ficaram no parapeito das janelas e uma outra atravessou a madeira e foi cair encima da cama onde, momentos antes, estava o meu irmão de poucos meses.
Na manhã seguinte a senhora Olegária foi pedir pelo filho, suplicou para que este que não fosse denunciado à polícia. Numa época em que o país estava no meio de uma revolução entregá-lo à polícia podia significar, simplesmente, a sua desaparição… Meu pai teve pena da mulher que só tinha aquele filho como companhia e não participou dele às autoridades.
Como era de esperar, a inimizade entre eles durou pouco tempo. Alguns dias depois o Vítor foi pedir desculpas e explicou a razão daquela atitude: Henrique tinha-o convencido de que o meu pai planejava deitar abaixo o telheiro onde a mãe, a Senhora Olegária, fazia as arepas, que estava situado num terreno que pertencia ao hotel, e ele não podia permitir que a mãe ficasse sem o seu local de trabalho e, por consequência, sem sustento…
Pronto! Esta historieta de cães e polícias acabou!