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terça-feira, junho 9

Uma história de cão


Petra e Henrique foram dos últimos a hospedar-se no hotel Colón.
Ele era subchefe da polícia e tinha sido destacado para a prefeitura daquela localidade, Petra, a mulher que o acompanhava, estava em avançado estado de gravidez.
A vizinhança dizia que ela não era a mulher legítima, que eram amantes, também corriam rumores sobre Henrique, diziam que era um homem violento e que batia na mulher, não sei se nesta ou se na verdadeira…
Ela era uma mulher muito discreta e reservada, pouco saia do quarto, mas lembro-me de a ver sentada junto à porta entreaberta nos momentos de maior calor, em companhia de um pequeno cão. A minha mãe sentia pena dela.
Embora fosse proibida a presença de animais na residencial, o meu pai permitiu que este ficasse lá, desde que não incomodasse e nenhum dos outros inquilinos se queixasse.
O animal era um pequeno chihuahua que passava a maior parte do tempo no quarto fazendo companhia à sua dona e só muito raramente se atrevia a explorar o mundo cá fora onde era sempre muito mal visto.
Um dia, a sua sede de aventura foi maior e, silenciosamente, galgou os degraus que davam acesso aos nossos aposentos. Entrou no território da minha mãe e marcou-o como seu e, para premiar a sua façanha, decidiu levar um grande bacalhau que estava mesmo a jeito!
Descia penosamente as escadas arrastando o bacalhau quando a minha mãe o descbrio atirou-se ao bicho arrancando-lhe violentamente o troféu que tanto lhe tinha custado conseguir, obrigando-o a fugir desesperado até junto da sua dona, enquanto a minha mãe, exasperada, agitava o bacalhau no ar e exigia a Petra que se desfizesse do cão.
Este caricato incidente deu origem um episódio que podia ter acabado em tragédia.

Continua…