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sábado, junho 13

Por causa de um cão

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Depois do hotel, agora era o pequeno bar “Copacabana” que se ressentia. O país continuava mergulhado num caos político que nem a abundância de petróleo conseguia resolver. Mas o meu pai não perdeu a esperança, tanto ele como o sócio, aguardavam por tempos melhores.
Não demorou muito para que o sócio decidisse voltar para o seu país e o meu acabou comprando as quotas deste ficando sozinho com o bar. Agora trabalhava o dia inteiro até quase à meia-noite, desde então, costumávamos ir esperá-lo perto da hora de fechar para regressarmos todos juntos para casa, nas noites mais quentes caminhávamos junto ao mar enquanto bebíamos uma refrescante água de coco.
Preparávamo-nos para sair quando fomos surpreendidos por vozes vindas do salão de estar naquilo que parecia uma briga de casal. Reconhecemos as vozes de Petra e de Henrique e a minha mãe, preocupada pela fama de violento que Henrique trazia consigo, desceu rapidamente as escadas. Como sempre, eu fui atrás dela.
Deparamos com a mulher de braços abertos junto à porta, com a sua grande barriga balouçando sob a fina camisa de dormir, tentando impedir que o marido saísse; ele, completamente embriagado, empunhava um revólver que agitava no ar ao mesmo tempo que tentava desembaraçar-se da mulher e, entre gritos e impropérios, dizia o nome de meu pai.
A minha mãe pegou na minha mão e me arrastou até à porta e, com um sangue frio de arrepiar, pediu licença para passar; Henrique olhou para ela estupefacto calando-se por uns momentos, mantendo ainda arma no ar, enquanto Petra, com uma expressão apavorada no rosto, se afastava para nos deixar passar. Corremos em direção ao bar apenas a tempo de pôr meu pai de sobreaviso.
Continua…