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sábado, junho 6

Historinha...


Depois das férias grandes o primeiro trabalho que nos propunham era uma redacção para sobre como e onde tínhamos passado as férias. Apesar de não ter saído do mesmo lugar, a minha redacção era sempre uma das melhores.
Nela eu deixava transbordar a imaginação e descrevia aventuras mirabolantes que eram a inveja das minhas colegas! Na composição aplicava todos os meus conhecimentos de Geografia e da realidade do país de modo a transmitir autenticidade aos meus relatos para que fosse fácil às minhas colegas acreditarem que era verdade, uma vez que a narrativa tinha que ser lida por cada uma de nós, em voz alta.
Afinal, as minhas férias tinham sido melhores do que as da maioria delas! Mesmo que elas tivessem viajado para a Florida, Itália ou Espanha, as minhas férias eram mais interessantes e aventureiras… Só muito mais tarde entendi a expressão risonha das irmãs sempre que me devolviam o trabalho…
Agora só tinha um uniforme. A minha mãe tinha que o lavar logo que eu chegava da escola, e quando o tempo estava mais húmido e não dava tempo para secar, ela tentava seca-lo a ferro logo pela manhã.
Muitas vezes desci a rua até a paragem do autocarro tiritando de frio dentro da farda ainda húmida.
Os sapatos castanhos, que faziam parte da farda, tinham que durar todo o ano escolar, o que era um tormento para os meus pés, tomando em conta que estava numa idade em que crescia todos os dias.
Quase sempre tomava o pequeno-almoço no bar, o meu pai preparava-me uma deliciosa tosta de fiambre e queijo e um grande copo de café com leite.
Algumas vezes a minha mãe me preparava umas deliciosas fatias douradas para o lanche mas, em muitas ocasiões, eu trocava as fatias por um pedaço de pão com azeite e açúcar da minha colega Virgínia, uma espanhola, de Gijón…
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