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sábado, junho 20

Continuação


Alguns dias depois voltou ao bar. Desta vez apontou com a arma a meu pai diante dos clientes que ainda ali se encontravam. Depois do primeiro incidente aqueles que estimavam o dono do bar começaram a ficar no local até ele fechar as portas e muitas vezes o acompanhavam até à casa.
Nesta ocasião o homem insultou o meu pai e o acusou de ter maltratado o pequeno chihuahua, (o que que não era verdade), puxou pelos galões, por ser chefe da polícia, e ameaçou-o pelo facto de ser imigrante.
Disse que era melhor ele voltar para a sua terra, que os estrangeiros estavam lá para explorar o país e matar a fome que traziam da sua terra miserável.
Enfim, palavras que magoam, bem no fundo, àqueles que um dia tiveram que deixar a sua terra na procura de um futuro melhor.
Por trás do balcão meu pai tentava manter a calma, sabia que qualquer movimento em falso podia desencadear uma tragédia. A minha mãe, conservando, mais uma vez, o sangue frio, colocou-se junto ao homem sem atender os olhares aflitos do meu pai pedindo que nos afastássemos e, muito serenamente, começou a falar com ele. Tentou chamá-lo à razão, falou-lhe da mulher, do filho que estava para chegar, do seu futuro …Usou de todos os argumentos que lhe ocorreram enquanto segurava, escondido atrás das costas, um cassetete de madeira, pronto as ser utilizado caso os seus argumentos não resultassem…
Mais uma vez o homem pareceu ficar transtornado com a atitude da minha mãe, inesperadamente, recolheu a arma, e saiu com um ar envergonhado sem virar as costas ao meu pai…
No dia seguinte o Henrique e a Petra saíram do hotel e nunca mais os vimos. Mas sabíamos que ele continuava sendo subchefe da polícia local.
Interrogo-me, ainda hoje, sobre o que teria acontecido se o homem não tivesse dado ouvidos à minha mãe…
Teria ela usado o cassetete?
:continua…