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domingo, maio 31

ventos de mudança

No final dos anos cinquenta muitos países da América Latina estavam sob ditaduras, quase sempre de generais que dominavam o poder pela força bruta e o medo, e cuja economia estava nas mãos das grandes potencias.
Estes países viviam num aparente prosperidade e tudo parecia correr bem, desde que as pessoas se mantivessem de boca fechada, qualquer crítica ou oposição ao governo podia significar a perda de liberdade ou, simplesmente, desaparecer.

(Faço aqui um aparte para dizer que é isto que a pintura de Botero representa. As suas personagens gordas estão sempre de boca fechada, quase inexpressivas, como crítica a uma sociedade que se acomoda e troca a liberdade de expressão por um certo bem-estar. É por isso que ele diz: “Não, eu não pinto pessoas gordas”.)

Foi um tempo em que, um pouco por todo o mundo, surgiram os movimentos de descolonização e de libertação.
Na América Latina os regimes ditatoriais foram caindo um a um, restabeleciam-se democracias ou surgiam guerrilhas e revoluções intermináveis.
Foi o que aconteceu também na Venezuela. Depois de uma revolução que deitou por terra uma ditadura de quase uma década o poder ficou entregue a um governo provisório, que se manteve em funções durante dois anos, até o país ter condições para eleger um governo livremente.
Mas, a liberdade merecida foi a ruína económica dos meus pais, o que nos deu a oportunidade de viver uma vida totalmente diferente da que eles imaginavam…

Continua no próximo post…