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sábado, maio 23

Reveron

Juanita e Reveron




O quarto das bonecas,no Castillete


Macuto era uma estância balnear muito na moda nos anos cinquenta devido à sua proximidade com a capital e foi nessa localidade que passamos os primeiros anos naquele país.
Numa estreita ruela contígua ao hotel havia uma casa que se diferenciava das demais. Chamavam-lhe “El Castillete”.
A casa era toda em pedra e tinha um amplo pátio interior com um pequeno lago e uma vegetação exuberante onde coexistiam pássaros , papagaios e alguns macacos de estimação.
Era , contudo, um habitação muito humilde que despertava a curiosidade da vizinhança e sobre a qual se teciam os mais diversos comentários. Fora construída por um pintor excêntrico que , segundo se dizia, tinha enlouquecido.
O pintor tinha falecido não há muito tempo mas, Juanita, a sua musa e companheira de toda a vida, continuava lá.
Era uma mestiça muito doce, de idade indefinida, dizia que tinha sido raptada pelo pintor ainda muito jovem.
Vivia quase isolada e aparentemente feliz naquele pequeno castelo, em companhia dos macacos e das bonecas de trapo que o pintor fazia e que ocupavam muito do espaço da casa.
Como as outras crianças da vizinhança, eu também fiquei algumas vezes de vigia à porta da casa , esperando que Juanita nos viesse pedir para fazer algum recado.
Ela ás vezes ela nos deixava entrar e mostrava as bonecas ou contava histórias. Eu entrei algumas vezes, mas confesso que aquele ambiente escuro da sala das bonecas não me agradou muito e pouco a pouco me desinteressei pela casa.
O pintor era Armando Reveron, chamado hoje “O pintor da luz” e considerado na actualidade um dos grandes pintores venezuelanos e com reconhecimento mundial