Google+ Followers

quinta-feira, maio 7

O meu primeiro amor.

Foi aos 8 anos que experimentei a minha primeira paixão. Ele chamava-se Joseíto e estava alojado no hotel junto com os pais e um irmão mais velho. Eu fiquei inteiramente rendida pelos seus lindos olhos azuis desde o primeiro dia em que o vi. Mas ele era mais velho do que eu, o bastante para não me dar a mínima importância, tinha uma atitude arrogante e quando nos encontrávamos ele me olhava com desinteresse, como se eu fosse um insecto, ou simplesmente, invisível. Eu ficava envergonhada e entristecida mas não conseguia deixar de pensar nele! Permanecia atenta aos seus movimentos observando-o discretamente e ficava horas a fio sentada na escadaria à espera que ele voltasse da praia apenas para o ver passar…

Precisava desesperadamente que soubesse o quanto eu gostava dele, talvez assim começasse a tratar-me melhor e… quem sabe? a gostar de mim!

Como não tinha coragem para lhe falar pedi ajuda à Gloria, ela tinha dezoito anos mas devia-me alguns favores, certamente não se negaria a me ajudar. A avó era muito protectora e não a deixava sair sozinha e eu tinha-me tornado a sua acompanhante durante uns curtos passeios à beira mar. Mas estes não eram passeios inocentes pois a uma distância prudente, fora do alcance dos olhares da avó, um jovem esperava por ela.

Os encontros davam-se ao anoitecer e nunca cheguei a ver o rosto deste namorado misterioso porque eles me mantinham à distância caminhando de mão dada, enquanto eu ficava atrás deles simulando estar alheada olhando para o mar…

Houve um dia em que se afastaram mais do que era habitual e pareceu-me ver os seus corpos juntarem-se num abraço, desconfio que deram um beijo…

Fiquei escandalizada mas nada dei a perceber. Pouco depois Gloria chegou ao pé de mim, rubra e ofegante, e tomando-me pela mão me arrastou para casa, não sem antes me fazer jurar que não contaria nada a ninguém. Sem dúvida ela era a pessoa ideal para me ajudar pois também estava apaixonada! Então falei-lhe da minha paixão e implorei que dissesse ao Joseíto quanto eu gostava dele. Só queria isso.

Nunca cheguei a saber se efectivamente o fez, mas sei que a partir desse dia um súbito sentimento de pudor me atacou! Só de imaginar que ele sabia dos meus sentimentos, corava de vergonha!

Deixei de esperar o jovem no regresso da praia e tentei por todos os meios não voltar a encontrá-lo frente a frente; foi com grande alívio que o vi partir alguns dias depois. Este foi o desfecho do meu curioso primeiro amor.

Começava a sentir-me maçada com os passeios com a Gloria e decidi traí-la. Contei à minha mãe o que acontecia durante as nossas caminhadas, mesmo sabendo que ela não ia consentir que eu continuasse a passear com a jovem e que, seguramente, a avó viria a saber do caso, e assim foi: a rapariga não voltou a passear sem a companhia da avó e foi sem remorso que poucos dias depois a vi partir de regresso à capital.

Ao abandonar o hotel, Gloria parecia envergonhada mas ainda teve tempo para me atirar um olhar tão frio que me fez estremecer e me obrigou a esconder-me por detrás da minha mãe...