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segunda-feira, maio 18

Natal na terra nova


Foi bem diferente o primeiro Natal naquela terra.
Não houveram as romarias na igreja, a carne assada no forno de lenha e o pão caseiro na mesa rodeada pela família. Mas, em compensação, o Menino Jesus foi muito mais generoso!
O meu sapatinho estava repleto de brinquedos como eu nunca imaginara! Mas de todos só me recordo de um pequeno esquilo de corda que saltitou por toda a casa durante horas a fio até a corda ficar gasta!
Deixou também um grande saco cheio de vestidos e outras peças de vestuário, contudo, a minha alegria durou pouco tempo, a maior parte das peças eram de tamanho muito pequeno para mim…
Perante o meu desapontamento a minha mãe explicou que possivelmente o Menino Jesus não estivesse habituado a comprar roupas, ou então se tivesse enganado na porta, e essas prendas eram para outra menina.
Foi com grande dificuldade que ela me impediu de sair com o saco da roupa bater na porta das vizinhas até encontrar alguma menina que, certamente, teria recebido roupas de tamanho errado...
Nos anos seguintes ao fazer o meu pedido de Natal, junto ao o endereço deixava a recomendação ao Menino Jesus para que não se voltasse a enganar ao deixar as prendas no sapatinho.
Acreditei no Menino Jesus até aos 15 anos. A minha mãe já não suportava ver-me discutir com as vizinhas que se atreviam a pensar que quem deixava os presentes de Natal era o pai! Eu sentia pena delas por não terem a sorte de serem visitadas pelo verdadeiro menino. Então ela achou por bem dizer-me a verdade.
Custou-me muito aceitar a verdade! Senti-me traída e envergonhada pela minha ingenuidade, e muito desapontada...
Agora a quem ia pedir que cumprisse as minhas fantasias? Se eram os pais os que deixavam as prendas, então já não havia esperança...
Nunca mais escrevi cartas nem fiz mais pedidos ao Menino Jesus e o Natal perdeu muita da sua graça.