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quarta-feira, maio 6

Não me lembro e ver a minha mãe grávida mas lembro-me de a ver bordar pequenos lençóis e uma colcha de seda branca, nem recordo os meus sentimentos dessa altura. Sei que fiquei feliz ao ver em casa o meu irmão.
Era um bebé grande e os seus olhos eram de um azul acinzentado, o que fez a minha mãe muito feliz julgando que ele tinha herdado a cor dos olhos do seu pai, mas tinha as pernas ligeiramente arqueadas, coisa que a minha mãe tentou corrigir envolvendo-as suavemente em ligaduras durante algum tempo. Seis meses depois o bebé tinha uns lindos olhos castanhos e as pernas...direitinhas!
Chamou-se como o seu primeiro filho nascido ainda na aldeia, que morrera devido a uma gastroenterite porque o médico não tinha chegado a tempo. Durante muitos anos a vi chorar esse filho que, no seu imaginário, teria sido o filho perfeito.
Eu tinha oito anos e esse bebé era um boneco grande para mim, apesar de ter roubado o que me restava de protagonismo, eu gostava muito dele.