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quarta-feira, maio 6

Agora

Agora...

Aquele pedaço de terra cresceu, trepou pelas rochas acima (perdeu o medo do pico do ribeiro) e derramou-se até a beira do mar, as casas já não estão apinhadas junto à igreja nem as portas ficam sempre abertas. As crianças não andam descalças mas ficam sujas de poeira do asfalto, não fazem barquinhos de bananeira nem vão aos peixes verdes e as meninas não já não bordam em folhas de correola nem fazem sandálias de telhas.
Está tão iluminada que quase não se vêem as estrelas e a canção da água nas levadas é abafada pelo ruído dos automóveis, até as ondas do mar ficaram mais silenciosas…
Tem um moderno largo com fontes dançantes mas sem flores e um túnel cortou o isolamento dos seus habitantes, agora os rostos dos que se cruzam nas ruelas não são todos familiares.Os jovens vão dançar nas discotecas e cantar nos bares onde as vozes se confundem, já quase não se fazem serenatas à beira mar sob o céu estrelado.Até as bilhardeiras ficam em casa para ver as novelas…
As praias já não são separadas e o pecado já não existe. Agora, as escorregadias rochas, outrora cobertas de lapas e caramujos, estão sepultadas sob toneladas de blocos de cimento.
Agora as portas estão fechadas e em vez de pássaros nos telhados há antenas parabólicas. Está cada um no seu mundo, como em qualquer outro lugar…Sinais dos tempos.
Aquela terra modernizou-se, progrediu, mas perdeu alguma da sua graça e deixou uma grande saudade..
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