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sexta-feira, maio 15

E continuando a história…



Tinha ainda seis anos quando fiz a Primeira Comunhão. O padre da aldeia, o mesmo que tinha casado os meus pais e celebrado o meu baptismo, não quis deixar-me partir sem antes me transformar numa verdadeira cristã. Sabia lá se nessa terra desconhecida para onde eu ia, alguém me ia ensinar o catecismo …
Foi também ele que fez a minha mãe jurar que havia de aceitar todos os filhos que Deus lhe quisesse dar.
A mulher que durante gerações ensinou o catecismo às crianças da aldeia era pequenina tão curvada da espinha que parecia que o queixo ia bater no chão em qualquer momento, cobria a cabeça com um lenço e vestia roupas muito simples e velhas e os sapatos cambados deixavam à mostra os dedos retorcidos e encavalitados uns nos outros.
Era de uma família abastada mas tinha feito voto de pobreza, também era Filha de Maria e mostrava com orgulho a aliança que a tornava noiva de Cristo. Jurava ser casta e pura, como o seu nome, e seu único desejo era morrer para ir para o Céu juntar-se ao seu amado.
Vivia com mãe, viúva desde muito nova, e juntas levavam uma vida muito modesta. O dinheiro que possuíam era gasto em dádivas para a igreja e, sobretudo, para comprar muitas missas para arranjar um bom lugar no Céu. È verdade que também faziam caridade e ajudavam algumas pessoas, nem sempre as que mais precisavam...
Mas ela era exigente e dava sermões a todos aqueles que não cumpriam as leis do Senhor.
Todavia, esta figura quase grotesca em nada atemorizava as crianças, a verdade é que quase todos gostavam de ir para a catequese porque no fim da aula ela distribuía uns suspeitos bolinhos de coco, que não eram mais do que flocos de coco amassados com açúcar e água que ela punha a secar sobre as telhas da cozinha e, por vezes, umas estampas de santos e que eram o nosso orgulho, ocasião que ela aproveitava para nos contar a vida e as virtudes dos mesmos de modo que nos servissem de exemplo.