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segunda-feira, maio 4

Mr Atlas

Pouco a pouco me habituava à companhia do meu pai e ia deixando de ser uma obrigação gostar dele. Mesmo não sendo uma pessoa expansiva nos afectos, eu sentia que ele gostava de mim. Era um homem bonito, alto, de grandes olhos escuros e feições regulares – Vaidoso – dizia a minha mãe, que temia os anos que tinham estado separados. Achava-o diferente daquele jovem que tinha abandonado a aldeia inseguro e inexperiente.
Agora era um homem seguro de si, amante do culturismo, treinava em casa com regularidade seguindo os exercícios indicados nos pequenos livros de «Mr Atlas», que coleccionava.
Eu acompanhava-o durante essas sessões, com ele aprendi muitos exercícios de ginástica e a forma de respirar correctamente, mas esta era, sobretudo, uma boa oportunidade para nos conhecermos melhor e acabar com a minha desconfiança.
A minha mãe não via com muito bons olhos o interesse do marido em manter-se em forma. Tinha medo de perder o homem a quem na verdade já não conhecia muito bem. Apercebia-se das mudanças e receava que ele tivesse aprendido a viver como “aquela gente” e já não sentisse o desejo de voltar à sua terra.
Pouco a pouco os pequenos livros de «Mr Atlas» foram desaparecendo e as sessões de ginástica, cada vez mais raras...