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quarta-feira, maio 20

Arepas



Nas traseiras do hotel vivia a senhora Olegária. Era uma mulher muito humilde que parecia mais velha do que era em realidade. De tez escura, era seca, com grandes sulcos no rosto e quase sem dentes. Tinha um filho, Victor, já entrado em anos mas ainda solteiro, muito parecido com a mãe e tal como ela, era magro e seco.
Trabalhava como cantoneiro durante a semana e a sua diversão era jogar bolas criollas (uma espécie de jogo de petanca) num descampado à frente do bar, e apanhar uma grande borracheira durante o fim-de-semana.
Sob um telheiro coberto com velhas folhas de zinco, a senhora improvisara uma lareira onde fazia as arepas que vendia para sobreviver.
As arepas eram o pão daquela terra, aquilo que os naturais não podiam dispensar e a que nós nos habituamos rapidamente.
Eram uma espécie de bolinhos redondos e achatados feitos com farinha de milho que a senhora Olegária fazia da maneira mais tradicional, era ela que demolhava o grão de milho branco, cozia, e num moinho de manivela transformava-o numa massa suave com a qual confeccionava as arepas.
Eu ia todos os dias comprar algumas para o pequeno almoço e admirava-me com a habilidade com que ela moldava a massa e colocava na chapa quente até ficarem inchadas e tostadas, prontas par serem recheadas, ainda quentinhas, com queijo branco, guisado de carne ou feijão preto.
Mas o que mais me impressionava era vê-la com um grande charuto com a chama virada para dentro da boca, e que ela se entretinha a virar continuamente, ora para dentro, ou para fora da boca, enquanto fazia as arepas.