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quinta-feira, abril 30

As mulheres da terra


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Estas mulheres ficavam entregues aos seus pais ou aos sogros que exerciam uma vigilância feroz sobre as coitadas de maneira que não fossem tentadas a desrespeitar o marido Como divertimento tinham apenas os momentos de cavaqueira quando se juntavam à volta do bordado onde se entregavam à bilhardisse encontrando um motivo qualquer para soltar algumas gargalhadas que as fizessem esquecer a tristeza da espera pelo homem que elas amavam ou acreditavam amar. Não tinham como saber se amavam ou não, na maior parte dos casos só tinham conhecido aquele e, se desejassem um outro qualquer, escondiam esse sentimento bem fundo no seu peito. Poucas eram as que se atreviam a dar “um mau passo” como se dizia então. Era terrível ficar “falada” e difícil de suportar a crueldade da aldeia.
Ir à missa era um ritual incontornável e a comunhão diária, ou pelo menos semanal, uma obrigação e uma prova de que a mulher era de respeito, caso não se confessasse e comungasse toda a gente acreditava que ela estava em pecado (naquele tempo o único pecado para a mulher era aquele que se cometia da cintura para baixo) e isso era terrível pois significava que podia haver um marido enganado ou uma solteira desonrada, o que era uma desonra para a família e até mesmo para aldeia.
Durante muitos anos a autoridade maior foi o pároco da freguesia, era ele que controlava a virtude das mulheres usando para isso todo tipo de regras e imposições. Contam que em tempos o padre dava instruções sobre o vestuário das mulheres chegando a medir com uma fita a altura das saias.
Quando alguma jovem queria namorar o padre era o primeiro a saber e dar, ou não, a sua aprovação! Homens e mulheres tinham praias definidas para tomar banho situadas nos pontos mais opostos da povoação e as raparigas só podiam tomar banho vestidas.
Tempos houve em que as cartas que os namorados escreviam deviam passar primeiro pela mãos do Senhor vigário, isto levou a que muitas raparigas casadoiras preferissem ficar solteiras para toda a vida tornando-se filhas de Maria, casadas com o próprio Jesus Cristo levando uma vida pura (pelo menos em teoria!) pois assim iriam para o céu e seriam as favoritas do Senhor.