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quarta-feira, abril 22

inquietudes


A pequena gata branca e surda insiste em vir para o colo dela, exige atenção, quer carinhos e ela sente prazer ao acariciar o pequeno animal.
É bom sentir que alguém, se assim se pode dizer, gosta dela.
Aquela mulher prestes a cumprir 60 anos apercebe-se que o tempo passa rapidamente e não está a gostar disso.
Não é a idade o que a preocupa, não se sente velha, pelo menos não todos os dias, e quando olha para outras mulheres da mesma idade, estas parecem ter a idade da sua mãe.
Quando se olha ao espelho ( já não se olha tanto como antes) descobre os sulcos e pequenas rugas, às vezes custa-lhe reconhecer-se. Mas isso é só quando olha para o espelho. No seu interior continua a sentir-se jovem. Melhor dito, a idade não tem importância, acredita que tem muito ainda por viver. Isto nos dias bons… hoje não. Hoje está cansada.
Entristece-se ao ver que os que a rodeiam pensam que ela já cumpriu o seu papel: pariu os filhos, criou-os com todo amor e dedicação, cuidou do marido... foi a empregada doméstica, a mulher-a-dias, foi o cepo onde se descarregam todas as frustrações, aquela a quem tudo se exige e que não deve exigir nada…
Mas exige… amor, carinho, um beijo, coisas que não custam nada e valem tanto!