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quarta-feira, abril 22

Inquietude

Descobriu que tinha opinião própria e nos debates sabia defender a sua posição com argumentos sólidos, descobriu que podia falar sem que a mandassem calar e que, mesmo que desse uma opinião da qual alguém discordava ou quando estava errada, ninguém lhe chamava burra ou se ria dela!
Ficava cheia de orgulho, feliz, quando os professores a elogiavam e sentia-se uma criança com as brincadeiras e provocações dos colegas, particularmente nas aulas de História, quando eles se queixavam de concorrência desleal devido à idade dela pois diziam que ela tinha vivido a Revolução Francesa e a 1º República! Ela ria satisfeita e fazia rir todos os demais.
Ficava nervosa nos testes como não sabia que podia ficar e saia da sala com a sensação de não ter respondido a nada, para depois rejubilar ao receber os resultados dos mesmos!
Foi assim durante três anos cheios de ansiedade, alegria e satisfação.
Mas foi também uma luta solitária. O marido nunca lhe perguntava como iam as aulas, nunca quis saber como lhe corriam os exames nem se interessava pelas histórias que ela contava.
Finalizou o secundário com boas classificações, fez o exame de acesso á universidade e ficou preparada para continuar os estudos. Ainda acredita que vai conseguir fazer um curso universitário, depois pode morrer tranquila…