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quinta-feira, abril 23

Mais inquietude




















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um carro desceu lentamente a rua, o condutor olhou para ela, fez uma vénia e sorriu continuando a olhar enquanto se afastava.

Olhou à sua volta, incrédula! …não, não estava ninguém.... foi mesmo a ela que o homem se dirigiu!
Sem dar por isso endireitou-se, relaxou os músculos do rosto e esboçou um sorriso não para aquele homem de quem nem viu bem a cara, mas para ela! Mentalmente examinou a forma como estava vestida: as cores combinavam, a blusa ficava-lhe bem, o colar dava-lhe uma certa graça e um aspecto mais fashion e, claro! os óculos de sol!
Será que se tinha esquecido de olhar à sua volta? Ao longo de todos estes anos, nunca se interessou por saber se despertava algum interesse. Não que quisesse procurar alguém mas, faz tanto bem ao ego sentir-se apreciada!
Durante tanto tempo tentaram convence-la que não valia nada,embora resistisse e lutasse para manter a sua auto-estima, seguramente que não conseguiu tão bem quanto pensava.
Na sua aparente hibernação arranjou mecanismos de defesa: enquanto aspirava ,cozinhava ou passava a ferro, continuava a sonhar, tal como quando era criança. Vivia histórias, fazia projectos, planejava crimes, arrependia-se, lia um livro, ou escrevia um…

Agora tem a certeza que está na hora ser ter a sua vida de volta.
Ficou agradecida por aquele olhar a esse homem desconhecido.