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domingo, abril 26

Aquele punhado de terra isolado tinha todos os orgulhos e preconceitos de qualquer outro lugar do mundo. Estava dividido em três sítios, cada um considerando-se melhor do que o outro, mesmo sendo de uma maneira ou outra, todos os seus habitantes descendentes das mesmas famílias.
O meu pai era filho de um respeitado carpinteiro pertencente a uma família abastada que, depois de alguns anos de viuvez e já com sete filhos, casou em segundas núpcias com uma mulher muito mais jovem de outra aldeia. Isto fê-lo cair em desgraça. A nova esposa era uma mulher honesta e frontal que lhe deu mais oito filhos homens, entre os quais, o meu pai.
Começaram a namorar tinha a minha mãe ainda catorze anos e ele dezassete. Namoraram em segredo durante algum tempo mas quando a família soube tentou por todos os meios afastá-los, contudo, nada entravou o amor de ambos e finalmente a família foi obrigada a aceitar, não sem antes deixar bem claro à minha mãe que tinha descido na escala social.Sair do país tornou-se um imperativo para ambos,mas
ela carregaria toda a vida este estigma, sobretudo depois de ter percebido que o regresso à sua terra em glória seria impossível, quando a vida se tornou dura e sem esperança.